Do trágico ao épico: a Marcha das Vadias e os desafios políticos das mulheres negras

Por Ana Flávia Magalhães Pinto*

No último sábado, 22 de junho, a Marcha das Vadias ocupou ruas e espaços do centro de Brasília, com a palavra de ordem: “Se ser livre é ser vadia, então somos vadias!”. Segundo estimativas oficiais, cerca de 4 mil pessoas comparecem ao protesto. Dias antes, a ativista negra Maria Luiza Júnior havia me convidado a estar com ela naquela manifestação em que, como “Mãe de Preto”, carregaria um cartaz com a mensagem: “Brasil, troque sua polícia racista por uma política humanista. Dê um basta ao genocídio da juventude negra!”. Declinei do convite, explicando que não iria por razões pessoais e em sintonia com a decisão tomada pelo Coletivo Pretas Candangas, do qual faço parte.

Já no dia da Marcha, cheguei a encontrar no Facebook uma fotografia de Luiza levantando o seu cartaz no meio da multidão, o que me deu uma ponta de alegria por saber que um tema importante para muitas mulheres negras se fez presente de algum modo. Qual não foi a minha surpresa quando a mesma Luiza compartilhou com alguns amigos um vídeo sobre um episódio lamentável ocorrido também na Marcha e que a fez deixar a atividade antes do fim. Era o registro do momento em que um homem negro, usuário de muletas para compensar a falta de uma perna, talvez um morador de rua e mentalmente alterado se posicionou à margem da Marcha fazendo gestos obscenos. A ação gerou uma reação instantânea. Um grupo de mulheres quase todas brancas fez um cerco a ele, coagindo-o com gritos, buzinas, cartazes, sem falar na quantidade de fotógrafos a registrar o fenômeno. Maria Luiza Junior também apareceu imediatamente, mas não para fazer coro com as demais. Ela tentava proteger o moço com aquele cartaz sobre extermínio da juventude negra, mas sua atitude não foi entendida nem por ele, nem pelas demais.

Confesso que aquelas cenas me deixaram atônita num primeiro momento, mas pouco depois resolvi compartilhar minha angústia com Janaína Damaceno, uma amiga muito sábia. Conversamos rapidamente a respeito e, horas depois, ela lançou o seguinte questionamento também na rede social: “Alguém explica isso: como mulheres em grande parte brancas e universitárias, hostilizando e perseguindo um homem negro, pobre, deficiente e com problemas mentais pode ser igual a luta contra o machismo? Sério que ele personifica o inimigo? A luta antimachista exclui o bom senso? Ele fez algo extremamente grave que não foi captado pelo vídeo?”.

Divulguei aquela reflexão e uma interessante discussão foi desenvolvida. Jurema Werneck prontamente entrou em contato com a organização da Marcha e obteve a resposta de que “esta cena − e mais uma − foi fruto da ação da comissão de segurança da Marcha contra os agressores. E, neste caso, os agressores. A organização da Marcha deve soltar uma nota ainda hoje sobre este episódio”. Enquanto seguíamos o debate e aguardávamos a nota, que até a tarde de quarta-feira (26) ainda não tinha saído, alguém chegou a ponderar se o vídeo teria mesmo mostrado tudo o que acontecera. O relato da própria Maria Luiza Júnior, entretanto, confirmou o que para muitas já era óbvio: “Vou falar como testemunha ocular. O rapaz simplesmente levantou a camisa, porque na marcha havia pessoas de peito nu. Ele estava exibindo o ‘tanquinho’. Depois dos primeiros gritos, ele deu as costas e saía em direção contrária à marcha. Em seguida, fotógrafos e povo cercaram-no e ele novamente levantou a camisa. Eu que estava próxima, temendo que a bermuda amarrada com cordão baixasse expondo sua genitália, coloquei o cartaz em cima. Ele reagiu batendo no cartaz. Tendo me ouvido pedir que não continuasse com aquilo, gesticulou para que me afastasse. Daí eu saí da marcha porque fiquei deveras perturbada com o racismo exacerbado das manifestantes que acorreram para ele como urubus em busca de carniça. No vídeo está claro que ele está caminhando ou tentando ir no sentido contrário da marcha. A filmagem acaba quando ele atira a muleta em direção ao estacionamento sem pessoa alguma. Eu estava lá, e isto está no vídeo. O que faltou ao vídeo foi a minha indignação com a agressividade daqueles que gritavam com o rapaz e ainda o impediam de sair da confusão”.

A julgar pelos posicionamentos enviados, o episódio tem tido tamanha repercussão por condensar uma série de insatisfações que há muito perturbam várias mulheres negras que se colocam em diálogo com organizações feministas de maioria branca. Aline Maia, por exemplo, ponderou: “Será mesmo possível construir um feminismo, com mulheres brancas, que pautem nossas demandas? Tenho muitas dúvidas! Porque, na experiência que tenho, vejo que na maioria das vezes é sempre isso que acontece: expomos nossas questões, expomos nossos corpos negros, nossas paixões e dores e a massa branca se lixa; e no final diz: ‘Viva a solidariedade feminina’”. O posicionamento de Carla Akotirene é tão instigante quanto: “Ando repensando essas articulações com movimentos de mulheres que combatem as violências de gênero a partir de outras modalidades de opressão contra corporeidades negras, contra os racialmente excluídos e querem se firmar revolucionárias”. Para Aline Matos, o acontecido encaixa-se nas problematizações feitas por Audre Lorde: “A recusa institucionalizada da diferença é uma necessidade básica para a economia do benefício que necessita da existência de um excedente de pessoas marginais”.

Quando as primeiras edições da Marcha das Vadias / Slut Walk aconteceram, em 2011, eu estava no período de doutorado sanduíche nos Estados Unidos. Era uma duplamente outsider, mas tentei acompanhar o que acontecia simultaneamente aqui e lá. Como a experiência de ser tratada negativamente como vadia é algo que faz parte da experiência das mulheres negras, a proposta não me soou de todo descabida. Porém, logo surgiram alguns questionamentos feitos por mulheres negras de ambos os países. O primeiro deles lembrava que tal tratamento não nos tem sido reservado apenas quando saímos às ruas com roupas curtas. A negação do nosso direito ao próprio corpo independe das roupas que usemos. O segundo era o fato de muitas meninas, jovens e adultas negras das periferias e dos guetos não considerarem uma transgressão sair para qualquer lugar de shortinho e blusinha ou roupas justas. Elas fazem isso corriqueiramente e soa até estranha a agitação por algo tão banal. Por outro lado, a proposta poderia fazer sentido porque o puritanismo nunca nos salvou.

Seja como for, não participei de nenhuma atividade de rua. A razão disso se deu pela forma como esses questionamentos foram tratados pelas feministas brancas organizadoras das edições da Marcha das Vadias / Slut Walk naquele momento e posteriormente. Ao retornar dos EUA, não foi difícil manter minha decisão, pois os relatos de ativistas negras reforçaram a minha dificuldade de aproximação e crença no diálogo produtivo com aquele feminismo. Como relatou Paula Balduino de Melo no debate virtual dos últimos dias: “Nós, Pretas Candangas, estivemos em uma reunião de organização da Marcha das Vadias no ano passado (ou retrasado, me ajude a lembrar Juliana Cézar Nunes), a convite de algumas organizadoras. Junto com outras mulheres negras presentes, posicionamos nossas divergências quanto à marcha. Divergências de princípio. Falamos sobre como temos de enfrentar cotidianamente a sociedade hegemônica para mostrar que não somos vadias, que não temos a ‘cor do pecado’. Falamos que não queremos reivindicar o direito de ser vadias, mas sim de ser médicas, advogadas, doutoras. O fato ocorrido dentro da marcha este ano reforça as diferenças”.

Mais uma vez diante desses relatos, penso que a facilidade com que aquele homem − que visualizei como a personificação de um Saci trágico − foi transformado no alvo da catarse das manifestantes está diretamente associada à dificuldade que as feministas brancas organizadoras da Marcha têm de entender e incorporar os questionamentos colocados pelas mulheres negras, feministas ou não. Falamos, recebemos um sorriso amistoso de “Eu vejo você”, e a coisa segue sendo feita de acordo com a vontade delas, como se expressassem a certeza de que “Isso que vocês dizem pode ser interessante, mas o que estabelecemos desde o exterior é mais”. Afinal, a Marcha das Vadias tem alcançado ampla legitimação e, portanto, deve ser tida como uma decisão acertada e ponto final.

Não há dúvida de que aquele homem foi infeliz e insensato em suas ações, a ponto de colocar em risco até mesmo a própria integridade física já degradada. Mas alçá-lo à condição de “O agressor”, isso já me parece no mínimo emblemático do que não se conseguiu avançar por meio de debates quase sempre exclusivos a GTs de Gênero e Raça. Mesmo sabendo das limitações não intencionais, não era isso que esperava de pessoas que se dizem simpáticas às dores dos loucos, usuários de droga, mendigos, etc. A sensação é de que os representantes da escória são super bem vindos desde que se comportem do jeito estabelecido pela esquerda branca e classista.

Não estou com isso pondo em xeque a legitimidade do feminismo em sim ou a viabilidade de uma luta coletiva. Trata-se apenas de mais uma tentativa de deslocar a centralidade confortável do feminismo branco, mantida ao longo de décadas, algo que o permite exercer o seu poder à revelia das experiências de outras mulheres, com destaque neste caso para as negras. Digo isso porque uma coisa que dificilmente entra na cabeça de várias de nossas interlocutoras é a necessidade que nós, mulheres negras, temos de defender a existência dos homens negros. Não falamos apenas do pai opressor. Pela nossa história, convivemos também com os registros do avô escravizado, do pai encarcerado, do irmão desempregado, do filho executado, todos pagando o preço de ser tidos como vadios!

Felizmente, mesmo num momento delicado como esse, há pessoas que buscam romper com os privilégios que desfrutam por serem brancas, expõem os erros de gente do seu próprio grupo sociorracial e se colocam para um debate franco conosco, a exemplo da professora Edlene Silva, que disse: “Lamentável!!!! Estava falando sobre a questão gênero, raça e movimento feminista numa palestra que dei no sábado para professores do GDF. Tem questões identitárias no movimento feminista que datam do século XIX, desde o sufragismo que ainda são tão atuais, infelizmente”. Ou o também professor Alexandre Magno, quando expôs suas reflexões: “Algumas feministas dirão que a ação das mulheres foi corretíssima, que aquele lugar era o lugar de fala delas e que seus gritos de liberdade seriam a única fala. Fiquei imaginando a mesma situação por outra óptica, a de um homem negro, pobre, deficiente físico, possivelmente sem instrução, atordoado por aqueles sinalizadores sonoros, cheios de gás e bem próximos ao ouvido dele, que de repente depara com as falas estampadas nos cartazes e que rapidamente, talvez pela sua compreensão de mundo e construção do modelo sexista, direcionou toda aquela fala ‘ao falo’. Será ele o inimigo? E a rua, que provavelmente ele habita todos os dias, o lugar a que foi destinado, separado, a sobra, não como o lugar masculino, mas o da exclusão (de tantos negros/as excluídos/as), agora tem dono/a? Limpem a rua, saiam do caminho que marcha vai passar… Mas uma vez aquele homem negro, sem uma das pernas, sem apoio, não tem lugar. Que fórmula mais maluca de se lutar por equidade! Contra o machismo, o racismo”.

Quando junto tudo isso, aquelas imagens do vídeo assumem dimensão épica, condensam uma série de violências contra as quais nós negras e negros temos batido e nos debatido. A essa altura do campeonato, se a nota da organização das Marcha das Vadias chegar, servirá apenas como mais um registro importante para nossas reflexões sobre essa instável parceria entre feministas brancas e mulheres negras. O que disserem não apagará o que aconteceu na Marcha. O antirracismo já é palavreado fácil, mas segue sendo uma prática difícil. Eis o lugar onde estamos. Para onde vamos? Isso depende do caminho que todas e todos estiverem realmente dispostas e empenhados a trilhar.

*Doutoranda e mestre em História, jornalista, integrante do Coletivo Pretas Candangas, e autora do livro Imprensa negra no Brasil do século XIX (Selo Negro, 2010).

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11 Respostas para “Do trágico ao épico: a Marcha das Vadias e os desafios políticos das mulheres negras

  1. Boa tarde Ana, em primeiro lugar, gostaria de dizer que adorei o seu texto. Em segundo, digo que estava bem próxima desse acontecimento na Marcha. Na hora não consegui ver quem era o tal “agressor”, contra o qual as pessoas fizeram soar buzinas ensurdecedoras. Vendo o vídeo agora, vejo que há muitas questões a serem debatidas em relação à violência sexual, em relação à liberdade sexual e em relação a questões raciais. Não tenho pós-graduação ainda, portanto eu falo apenas da minha experiência como psicóloga e da minha experiência como mulher. Mas o fato é que em muitos casos, uma atuação sexual explícita, como no caso desse homem, está fora de controle pelas regras sociais, especialmente, se ele estiver sob o efeito do uso de drogas e/ou em alguns casos de sofrimento psíquico grave. Nesses caso, levantar a bandeira da não violência sexual contra mulheres e culpabilizar indiscriminadamente os homens me parece um pouco imaturo. A violência sexual tem sutilezas que estão para além das reivindicações das mulheres de não serem agredidas. Essa é, sem dúvida, uma reivindicação necessária e urgente, mas existem vários outros fatores a serem considerados na violência sexual. A responsabilidade pelas relações sexuais é de homens e mulheres. Cabe a todos pensar nas relações de poder que permeiam essas relações. Não adianta apenas pensarmos que ele foi infeliz em fazer isso. Talvez seja demais exigir que ele compreenda o significado que as mulheres da Marcha compartilham. Nem mesmo a maioria da população, mesmo aquela que foi às universidades, entende o significado disso, seja homens ou mulheres, brancos ou negros. Nem todo mundo que está na lógica machista é algoz e merece buzinas ensurdecedoras. Muitas vezes são vítimas da própria lógica e em vez de buzinas outras táticas se façam necessárias. É necessário pensarmos nisso também. Os movimentos feministas devem se atentar a diferentes estratégias de combater o machismo. Não existe um machismo, existem várias formas e eles afetam as pessoas de diversas maneiras. Não participo de nenhum coletivo feminista, apesar de ser feminista, mas sempre fui às edições das Marcha. Vou seguir acompanhando as discussões. Um abraço, Juliana.

  2. Pelo relato ocular de minha irmã – que estava na Marcha – uma mulher negra (antes que digam que ela é uma “branca racista de classe média”), o cara teve atitudes claramente provocativas. Em outro vídeo, provavelmente filmado por outra pessoa, eu vejo este homem fazer gestos obscenos para as manifestantes. Se ele não fosse negro ou pobre ou usasse muletas: se fosse um “branco de classe média”? Então tudo bem? Será que pelo homem ter essas condições (provavelmente morador de rua ou usuário de drogas e/ou ter problemas mentais, sem uma perna) JUSTIFICA essa agressão (que não foi somente por gestos, mas também por palavras, assediando as mulheres)? Se o cara faz isso em meio a uma passeata, com em média 4 mil pessoas, como será a atitude dele quando existem poucas pessoas ao redor? Me imaginei andando à noite na rua e me deparando com um homem (qualquer um!) me dizendo obscenidades e gesticulando. Certamente eu sairia correndo e o consideraria perigoso. “Ah, mas ele é negro e não tem uma perna”. Ora, agressão sexual não exclui cor ou condição física e até mesmo mental. E se o senhor em questão realmente estava com a razão alterada (seja por drogas ou problemas mentais), certamente age pelos instintos, podendo, muito bem ser, de fato, um agressor.

    • Eny, nunca quis excluir o fato de que a agressão existe, mas eu acho que vale a pena pensar que não existe um culpado somente. Existem pessoas que estão na lógica do machismo e pensam e compartilham a ideia de que algumas atitudes são permitidas, mesmo que as feministas discordem. A atitude dele é injustificável. Nunca quis dizer que ele pode fazer, apenas disse que isso acontece. Isso é um fato intransponível. Então, como lidar com esse fato? UMA COLETIVIDADE CONTRA UM INDIVÍDUO É UMA VIOLÊNCIA ABSURDA!!! Foi o que aconteceu com esse homem. Eu entendo que dá medo ver um homem na rua fazer tais gestos para mulheres, mas de fato, ele não atacou ninguém. É necessário haver diversas táticas de combater o racismo e eu penso que elas devem ser diferentes das práticas opressoras tácitas do machismo. Não vamos reproduzi-las. Sejamos críticas!

    • “se fosse um “branco de classe média”?”. A questão, para mim, é que ele não era um branco de classe média, mas negro e pobre. Não há “e se”. Colocar tais hipóteses apenas esconde a opressão e exploracão raciais tão presentes no Brasil.
      “Me imaginei andando à noite na rua e me deparando com um homem (qualquer um!) me dizendo obscenidades e gesticulando”. Mas aquelas mulheres não estavam sozinhas, à noite, mas juntas num grupo de 4 mil pessoas, protegidas por uma comissão de seguranca. É legitimo se sentir ofendida e revoltada (conheco muito bem o torpor que nos toma em mais momentos de acão coletiva), mas agir como se estivessem em uma real situacão de perigo? Ninguém ali, por um segundo, pensou que de fato corria o risco de sofrer algum abuso físico.
      “E se o senhor em questão realmente estava com a razão alterada (seja por drogas ou problemas mentais), certamente age pelos instintos, podendo, muito bem ser, de fato, um agressor.” Aí você pula para uma conclusão que não existe. Já vi muitas vezes moradores de rua alterados, bêbados, drogados ou simplesmente vitimas de disturbios mentais, mas nunca fui tocada por um. O que não significa que aconteca, tampoco que necessariamente aconteceria, compreende.
      Colei esses três trechos para mostrar quantas suposicões foram usadas para legitimar a acão das manifestantes. Mas o contexto real foi bem diferente daqueles usados nas suposicoões.

  3. Hum…… O que eu li aqui foi racismo da sua parte. Elas provavelmente fizeram isso por causa dos gestos obscenos, você acredita mesmo que todas essas mulheres perceberam que o homem tem problemas mentais? Você percebeu a quantidade de vezes que você descreve a cor de pele das manifestantes? Se o rapaz fosse branco você faria um post aqui?? Você viu racismo no vídeo, se não estivesse nesse texto nem teria passado pela minha cabeça, o que eu poderia ter imaginado seria a forma com que ele fez os gestos obscenos para as manifestantes. Esse movimento é feminista e não só para mulheres brancas, é um movimento para mulheres! Não sei de sua vida, sou um rapaz branco criado no interior e moro em cidade grande ( Goiânia), de onde eu venho não conheço pessoas que separam as outras por cor de pele, portanto não entendo o seu lado. Porém, o que eu vi nesse texto foi uma forma de racismo proveniente da sua parte.

  4. Quem é branca no Brasil? Fico pensando muito sobre isso. Ainda mais quando se é mulher, nenhuma escapa do estereótipo de mulher brasileira gostosa, infelizmente. Criticar a falta de bom senso é uma coisa, mas colocar isso como racismo, já não sei se é justo. E não sei se você está propondo uma luta coletiva, ou se está propondo um separatismo entre negras e brancas dentro do movimento. Se as pautas são coletivas todas entram. E quem quer ter o direito de ser vadia? Não entendo realmente qual o problema disso.

  5. Enfim, também desse jeito que as coisas andam tudo não passa de um jogo de palavras e imaginários para atingir os interesses próprios. Ou seja, cada um com suas verdades verdadeiras. E assim caminha a humanidade…

  6. foi a primeira marcha das vadias que fui e também não me senti bem na hora que tanta gente saía correndo atrás de algum homem que incomodava… realmente não vi esse momento específico, mas também não entendi o que houve em outros momentos que as meninas corriam atrás de alguém… no meio das buzinas, vi, em uma das vezes, um jovem, branco, que ao invés do rapaz negro que tentava sair da confusão, estava contornando toda a marchar..acho que numa postura de enfrentamento…. completamente perceptível a diferença de intenção de incomodar dos dois… Desde o ano passado existem discussões, delimitando diferenças de feminismos negros e periféricos…. apesar de várias imagens legais, arrepiar nuns momentos… tem sido complicado se sentir representada em grandes grupos…parece que uma hora o grupo se fortalece e cresce tanto que você não conhece mais suas raízes, objetivos… em época de manifestações de blusa branca pedindo paz fico pensando que mais uma vez precisamos cuidar de nossas estratégias… manifestações hoje não são como antes…. sei lá…..
    o texto traz uma sensibilidade que me fez pensar com mais pesar ainda sobre o ocorrido…

  7. Rosaurora Espinosa

    Muito trasfondo, no e? uma polémica muito necesaria para um feminismo que reconhece NOSSA DIVERSIDAD SOCIAL E CULTURAL

  8. bom dia! gostaria, se possível de um feedback sobre o meu comentário que deixei ontem. Obrigada! Juliana.

  9. Prezada, você como uma mulher negra sabe o que é o preconceito. As mulheres brancas não sabem o que é sofrer preconceito. O Feminismo é um movimento ideológico falso, criado por mulheres brancas privilegiadas, que foram as mulheres mais mimadas e protegidas da história. Antes do século XX, os homens europeus não deixavam as mulheres participar da vida econômica, politica e militar, porque a vida era dura e o destino dos homens era ser recrutado para morrer em alguma guerra, transpassado pela baioneta do inimigo. A mulher branca européia sempre foi mimada, protegida, endeusada e ao invés de perceber os imensos privilégios que sempre recebeu, elas decidiram se voltar contra os homens que as protegiam das rudezas do mundo e da guerra e criaram o feminismo, que é um movimento de fanatismo que objetiva conseguir o poder total para as feministas. Veja só minha cara, o FeminISMO termina com o sufixo ISMO, exatamente como o NazISMO, o ComunISMO, o SocialISMO, o FascISMO, o IntegralISMO e qualquer movimento de massas de fanatismo, termina com o sufixo ISMO. Ora, se todos os movimentos anteriores são comprovadamente falsos, por que razão o FeminISMO seria verdadeiro?
    As mulheres negras nunca foram privilegiadas nem mimadas como as mulheres brancas, e é por essa razão que fica dificil para você, como uma mulher negra, entender os pontos de vista de patricinhas brancas mimadas como as organizadoras feministas da Marcha das Vadias. O que aconteceu com aquele rapaz negro é o que acontece com todos os homens que cruzam com o Feminismo. Aquele rapaz sofreu preconceito e agressão porque é homem, e não porque é negro. Você se solidarizou com ele porque ele é negro e você, como uma mulher negra, tem uma concepção de justiça muito mais sensata do que uma branca mimada e patricinha. Os homens brancos estão sofrendo abusos e agressões inenarráveis das feministas e os homens negros também estão sendo vítimas do feminismo e nós temos que nos posicionar contra o feminismo não porque o feminismo mexeu com alguém com que nos importamos, mas porque o feminismo está errado e já passou dos limites. Onde já se viu fazer “Marcha das Vadias”? Outra coisa, me responda o que é que o feminismo pretende fazendo protestos contra o estupro? Por um acaso o estupro não é considerado crime? É claro que o estupro é considerado crime, ou seja, o que estava ao nosso alcance fazer – transformar o estupro em crime – nós já fizemos, o que mais elas querem? Qual é o objetivo de fazer “protestos contra o estupro”? Se fosse possivel impedir algum crime de acontecer simplesmente pintando cartolinas na rua, então por que é que não fazemos uma “Marcha contra os assassinatos”? Ou por que não fazemos uma “Marcha contra os roubos”? Os criminosos são como os javalis, não dá para a gente chegar em um javali e dizer: Amanse senhor Javali, fique bonzinho que a paz desse Zôo só depende do amigo. Um estuprador é como um Javali, não dá para a gente argumentar com um estuprador e pedir para ele ficar bonzinho. A única coisa que podemos fazer é punir o crime, se ele ocorrer, e isso nós já fazemos, então, o que mais as feministas querem com essa palhaçada de protestar contra o estupro? Homens de bem não estupram, então qual o verdadeiro motivo desse escândalo?
    A verdade é que o feminismo é igual o nazismo, e o fascismo e o integralismo. O problema do MachISMO não é o “Macho”; mas sim o “ismo” e isso o machISMO e o feminISMO têm em comum: ambos são errados e mentirosos.
    Então você começa a perceber que o feminismo não está do seu lado. E como poderia? Como é que as mulheres brancas, que sempre foram mimadas, protegidas, idolatradas, endeusadas, com o ego mais inflado do que um zeppelin, como é que uma mulher branca entenderia os pontos de vista de uma mulher negra? As mulheres negras sabem o que é o sofrimento e o preconceito de verdade e quando uma mulher negra vê um grupo de feministas agredindo um homem, naturalmente ela se solidariza com aquele homem agredido, porque isso traz de volta na lembrança dela toda a discriminação que ela sofreu também.
    Agora sobre essa questão racial, deixe-me dar um esclarecimento. O problema do Brasil não é o racismo; mas sim a pobreza. No Brasil, os negros e negras sofrem porque o país é pobre e tem uma renda per capita baixa, e não porque haja racismo. Eu acho um tremendo erro o que alguns grupos de negros estão fazendo de apoiar essa idéia de racismo só para conseguir algumas vantagens de cotas raciais. Os nazistas começaram da mesma forma, eles provaram que os judeus ganhavam mais dinheiro do que os alemães e isso insuflou o ódio contra os judeus. Quando os movimentos negros dizem que os brancos ganham mais do que os negros, o objetivo é insuflar o ódio contra os brancos. Mas os brancos estão tão pobres quanto os negros. Outra idéia equivocada é insinuar que os brancos são descendentes dos escravagistas europeus e que por razões históricas os negros deveriam querer se vingar dos brancos de hoje, por causa da escravidão negra que aconteceu há séculos atrás. No entanto, mais de 99% dos brancos do Brasil não são descendentes dos senhores de escravos, porque a maioria dos brancos de hoje são descendentes de imigrantes italianos e alemães pobres que vieram para o Brasil várias décadas depois de abolida a escravidão e que tiveram que enfrentar uma vida dura e de pobreza e de privações. E mesmo que hoje em dia se encontrem tataranetos de senhores de escravos, onde é que está a justiça em se vingar de netos por crimes cometidos pelos seus avós?
    Hoje em dia o nosso país vive uma epidemia de divisões: Eles jogam as mulheres contra os homens, os negros contra os brancos, os pobres contra os ricos, os filhos contra os pais de tal forma, que ninguém mais se entende e isso aqui está ficando pior do que a torre de Babel. O que eu proponho para todos os negros, negras, homens e mulheres do Brasil, sejam brancos ou negros, ou orientais ou indigenas é que nós temos que nos UNIR e exigir que o governo acelere o crescimento econômico e PARAR com essa politica de incentivar o canibalismo na população. De que adianta para os movimentos negros tentar arrancar um pedaço dos brancos pelas cotas raciais, se depois de formados, não houver empregos que paguem mais do que um salário minimo? Porque hoje em dia, os cursos superiores são apenas um golpe, um esquema ponzi que ilude os estudantes, já que as empresas não contratam quem almeja ganhar mais do que um salário minimo. Visitem o meu site: feminismodiabolico.blogspot.com.br

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